quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Two and a Half men

Não creio que a série Two and a Half men seja lá muito educativa, mas no 1º episódio da 5ª temporada o assunto principal é a primeira aula do Jake no Junior High, que equivale ao antigo colegial e atual Ensino Fundamental II. Seu pai, Alan, tenta lhe prevenir sobre o que pode lhe ocorrer e cita diversas formas como o filho pode sofrer bullying. O termo não é utilizado, mas o fato é que seu pai, que sofreu muito bullying na escola, passa todos os seus receios e medos para o filho. Assim, o pobre garoto vai morrendo de medo para sua aula. Resumindo, ele falta ao primeiro dia de aula apavorado com as coisas que o pai havia lhe falado e com as atrocidades que pudesse sofrer.
Qual comparação eu quero fazer? 
Por mais que os pais queiram alertar seus filhos sobre o que eles podem sofrer na vida, eles não podem proibir seus filhos de terem suas próprias vivências. O que os pais devem fazer é escutar seu filho, mostrar que podem confiar neles, e quando o filho vier pedir conselhos ou questionar sobre o que fazer em dada situação, aí sim os pais devem ajudar, mas sem trazer o problema para eles.

domingo, 7 de agosto de 2011

O que pode incitar o bullying?

Hoje, ao assistir o Fantástico, me deparei com uma matéria sobre jogos violentos. Um dos assuntos que abordo nas palestras para as escolas é exatamente fatores que podem influenciar um jovem a praticar bullying, falando de jogos e filmes violentos.
Nós temos por hábito achar que tudo é regra, ou seja, se você jogar esses jogos de vídeo game violentos, você terá um comportamento mais agressivo, ou não. Mas não é tão linear assim. Os jogos e filmes violentos se jogados e assistidos com frequência PODEM (não é regra) dissensibilizar, quem os utiliza, quanto à violência. Ou seja, quanto mais tempo você estiver exposto a situações violentas, mesmo que de forma fictícia, você tende a achar isso mais normal e ver com mais naturalidade o fato. Porém isso não faz de você um agressor em potencial, mas também não quer dizer que nunca acontecerá.
O que eu quero deixar claro com tudo isso é: não é ação e reação. Não é pelo fato do seu filho jogar jogos violentos, com mortes e tiros que fará dele um agressor ou atirador. Há outros fatores envolvidos nesses comportamentos. Mas não devemos ignorar o fato da dissensibilização à violência. Não podemos criar crianças e adolescentes que acham comum um homicídio ou um assalto a mão armada. Não podemos criar pessoas passivas à violência, que é o que esses jogos, em sua maioria, podem, com mais veemência, causar.
Em uma das palestras, ao dizer tudo isso, um menino fez a colocação de que ele fazia uso desse tipo de jogo como uma forma de extravasar as angústias e raivas que ele passara durante o dia. Eu, então, disse a ele para jogar futebol ou alguma outra atividade que consumisse mais a energia física dele, e não só a mental. Existem outras formas de canalizarmos nossas energias, que não vídeo games violentos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um caso real

Depois da pausa para merecidas férias escolares, estamos de volta.

Hoje quero contar a vocês sobre um caso que me foi apresentado. Mais uma vez coloco como fundamental o papel dos pais e educadores.

Na escola H, duas amigas, Beatriz e Amanda (nomes fictícios), viviam juntas para todo lugar que iam. Amanda era um pouco depressiva e Beatriz escrevia muito bem. Ao passo que Amanda contava  suas agruras, principalmente no que se referia aos amores de sua vida, Beatriz escrevia crônicas e poemas sobre o que a amiga lhe contava. 
Um certo dia (e esse dia sempre chega), Amanda e Beatriz brigaram. Eis que a mãe de Amanda chega à escola, com alguns dos textos que Beatriz havia escrito. A mãe insinuava que a filha sofria bullying e tinha como provar através dos escritos.
A coordenadora, sem saber o que ocorria, chamou Beatriz a sua sala e questionou sobre o que escreveu. A adolescente afirmou que esse era motivo de brincadeira entre as meninas e que ela só escreveu coisas na presença da Amanda, enquanto elas eram amigas. Agora, então, era a vez de chamar a Amanda, para ouví-la. Para surpresa de todos, Amanda confirmou a versão da Beatriz e disse, ainda, que o mal entendido foi feito por parte de sua mãe. Quando a mãe foi chamada e confrontada com a nova versão da filha, disse que a filha estava sendo influenciada a dizer aquilo, mas que vinha sofrendo bullying e estava abalada psicologicamente. Continuou, dizendo que ia fazer um boletim de ocorrência contra a escola por ter negligenciado o caso.
Hoje, a coordenadora, que fez o que estava ao seu alcance, responde a um processo. As adolescentes envolvidas não voltaram a ser amigas, mas não brigam mais e nem caluniam sobre ninguém. A escola não quis penalizar o caso, mas desenvolve ações para esclarecimento sobre o que é bullying e sobre respeito aos demais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Uma possível consequência do bullying: violência contra a mulher

Um estudo desenvolvido nos Estados Unidos aponta que 38% dos homens que cometeram violência contra a mulher no último ano, praticavam bullying na fase escolar.
Claro que temos que nos precaver do que o bullying pode trazer como consequências, mas não vamos ficar achando que todo autor de bullying se tornará um agressor de mulheres. Esse é um estudo que ainda precisa de replicações em outros países e estados para podermos chegar a um veredicto.
Confira a matéria na íntegra

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Artes marciais para lidar com o bullying

Alguns profissionais sugerem artes marciais para crianças e adolescentes que estejam sofrendo bullying. Como já disse, é importante que a criança se identifique com algo, podendo ser esporte, arte, música, artesanato, entre outros. Ao buscar o talento pessoal, estamos valorizando a individualidade, e incentivando o lado positivo de cada um. Se uma criança gosta de arte marcial, qualquer que seja ela, creio que o incentivo a prática é extremamente positivo. Porém, colocar uma criança para praticar uma arte marcial, simplesmente para aprender a se defender, pode gerar situações desagradáveis. Claro que é uma alternativa para defesa própria, mas nem sempre é a melhor solução. Se essa for a decisão da família, que procure um bom profissional, que não incentive o revide, e que mostre que a arte marcial não pode ser utilizada para agressão. O meu receio do incentivo da prática da luta, por parte de alguns profissionais é: será que essas crianças terão o discernimento do momento que podem ou não podem empregar o aprendido? Será que em algum momento, essa vítima não poderá ser autora e utilizar os "golpes" aprendidos para vitimizar outro.
Ao mesmo tempo, quero parabenizar os bons profissionais das artes marciais, que conseguiram recobrar a auto-estima de muitas vítimas de bullying, fazendo com que elas conseguissem procurar ajuda e sair desse comportamento.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Palestra no Colégio Santa Catarina de Sena

Gostaria de aproveitar o espaço para agradecer a equipe do Colégio Santa Catarina de Sena e aos alunos pelo espaço de informação e discussão sobre bullying, bem como as diversas perguntas pertinentes ao tema. Agradeço também a presença dos pais.
Nessa oportunidade, foi levantada a questão de levar os não o caso de bulllying à delegacia, gerando um Boletim de Ocorrência (B.O.).
Questionado sobre isso, respondi que devemos evitar que o bullying chegue ao nível de necessitar de interferência policial. Caso um aluno esteja se sentindo vitimizado por bullying ou brincadeira de mau gosto, deve, primeiramente, buscar o auxílio nos pais ou responsáveis, que conjuntamente devem procurar o(a) coordenador(a), e, pacificamente, tentarem solucionar o assunto.
Pedi aos pais presentes, discernimento para lidar com tais situações, já que os filhos podem super valorizar um acontecimento, ou mesmo exagerar o acontecido.
Os coordenadores e psicólogos da instituição saberão como proceder quanto ao caso. É de extrema importância levar ao conhecimento dos coordenadores o acontecido, pois, muitas vezes, eles não sabem o que se passa com todos os alunos. Cabe aos pais, auxiliar na coibição do fenômeno, mesmo quando não é com seu filho.
Quando recorrer ao B.O.?
Quando a escola se recusa a intervir no caso ou quando há ameaça de morte. Qualquer situação diferente destas, vamos resolver os casos sem maior alarde, poupando os nossos próprios filhos e alunos da exposição excessiva.

domingo, 15 de maio de 2011

Responsabilidade do cyberbullying

Uma das formas de se fazer bullying é através de meios de comunicação virtuais, como sites de relacionamento, twitter e sms (mensagem de texto no celular). Esse comportamento tem um nome específico, cyberbullying. Diferentemente do bullying, o cyberbullying já pode ser assim considerado, com apenas uma ocorrência. Ou seja, uma única mensagem que eu receba no meu celular dizendo, por exemplo "Te odeio", já é considerado cyberbullying, podendo ser anônima ou não.

Mas de quem é a responsabilidade por este ato?

Normalmente, esse tipo de comportamento ocorre fora da escola: em casa. Assim sendo, os pais que devem se responsabilizar. Mas o que fazer? Vigiar os filhos 24h? Não. Além de educá-los do que é certo e errado, mesmo no ambiente virtual, é importante que os pais tenham acesso às páginas de relacionamento e celular de seus filhos, fazendo uma supervisão discreta, sem interferência direta. Cada dia mais venho pedindo a interferência dos pais na vida de seus filhos, para que passem mais tempo juntos, facilitando a comunicação. Pois, só assim, poderemos agir em uma das frentes para se evitar o bullying e o cyberbullying, a nossa própria casa!